No sábado, 7 de março, teve lugar o primeiro webinar da série organizada para celebrar o 150º aniversário da fundação da Companhia de Santa Teresa de Jesus. Realizou-se na escola de Tarragona, berço da incipiente Sociedade em 1876. Como oradora, Mariola Iglesias, STJ; como apresentadora, Ninfa Watt, STJ .
O encontro, acompanhado por irmãs e leigos de diversos países através do Youtube, foi dedicado à reflexão sobre as fundadoras, recuperando a memória daquelas mulheres que tornaram possível o nascimento e a consolidação das primeiras fundações da Sociedade.
Desde o início da sua intervenção, Mariola Iglesias STJ explicou que o seu objetivo não era simplesmente oferecer dados históricos, mas provocar uma profunda reconexão com a experiência fundacional. Uma reconexão "com o que já sabemos, com o que somos..." mas que deixa sempre "novas luzes no caminho".
A exposição foi articulada em torno de quatro questões que orientaram a reflexão: quem foram os fundadores, o que Enrique de Ossó via neles, o que os ligava ao projeto e qual o contributo que a sua experiência pode dar hoje. A partir destas questões, Mariola reconstruiu o contexto das origens da Sociedade.
A história das fundadoras não foi linear nem isenta de dificuldades. O grupo inicial de jovens mulheres não tardou a conhecer tensões internas e uma grande crise em 1877 que pôs em perigo a continuidade da comunidade nascente. Algumas abandonaram o projeto e outras viveram momentos de dúvida. Esta prova, longe de destruir a obra, contribuiu para consolidar o grupo que permaneceria fiel.
As oito mulheres que foram finalmente reconhecidas como fundadoras, depois de emitirem os seus primeiros votos a 1 de janeiro de 1879, são Dolores Llorach, Josefa Teresa Audí, Cinta Talarn, Teresa Blanch, Teresa Guillamón, Teresa Pla, Agustina Alcoverro e Saturnina Jassá. O próprio Enrique de Ossó escreveu sobre elas: "As oito fundadoras já emitiram os seus três votos (...) e continuam muito vivas e consoladas".
Mariola sublinha que estas mulheres não são figuras idealizadas ou perfeitas, mas pessoas concretas que vivem um processo de crescimento e de discernimento. Eram jovens com desejos apostólicos e com uma profunda disposição interior que Enrique de Ossó soube reconhecer. Nas suas próprias palavras, procurava algo essencial nelas: que tivessem "uma boa cabeça, um bom coração..." Se assim fosse, "tudo estaria bem". Assim, o fundador espera que as irmãs se tornem, "na medida do possível, outras Teresas de Jesus".
Outro elemento decisivo foi o modo como estas mulheres se ligaram umas às outras. Para além dos afectos pessoais, descobriram que eram chamadas a tornar-se um "corpo apostólico", uma comunidade enviada a trabalhar em conjunto pelos interesses de Jesus. A vocação pessoal está inseparavelmente ligada à vocação comunitária: não se trata de ser apóstolas isoladas, mas de ser uma Companhia.
Fundamental para este processo foi o acompanhamento próximo de Enrique de Ossó, que, através de cartas e orientações, ajudou cada uma a crescer, a corrigir-se e a desenvolver os seus dons. Os seus escritos mostram um equilíbrio entre exigência e cuidado, e revelam uma profunda preocupação pela vida espiritual e humana do grupo.
Na parte final da intervenção,a reflexão foi orientada para o presente. Mariola convidou-nos a olhar para a experiência das fundadoras não com uma nostalgia idealizada, mas como uma fonte de inspiração para os desafios de hoje. Aquelas mulheres também viveram tempos de incerteza, tanto pelo contexto social do século XIX como pela novidade da forma de vida religiosa que estavam a inaugurar. Perante esta incerteza, encontraram uma certeza fundamental: a sua ancoragem em Jesus e a convicção de terem sido chamadas a colaborar na sua missão. Por isso, Enrique de Ossó convidava-os muitas vezes a interrogarem-se: "Porque vieste para a Companhia?
Foi a resposta a esta pergunta que permitiu às fundadoras enfrentar as dificuldades, tomar decisões corajosas e abrir caminhos apostólicos que, em breve, se estenderiam para além de Espanha e para outros continentes. Hoje, também nós somos convidados a colocar-nos a mesma questão.
O webinar concluiu-se com um apelo a dar graças pela fidelidade daquelas primeiras irmãs que, juntamente com Enrique de Ossó, lançaram as bases da obra teresiana. Como recordou Mariola, foram verdadeiramente "pedras fundamentais" de uma história que continua até hoje.
As mais de 3.000 visitas permitem-nos afirmar que este primeiro webinar despertou um grande interesse na Família Teresiana e em todas as pessoas ligadas à sua missão. Se ainda não o viste, podes vê-lo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=kZdZKnkk2Vs
Obrigado à Mariola pelo seu excelente trabalho de investigação e clareza de exposição; obrigado à escola de Tarragona por ter aberto as suas portas; obrigado a todos os que se juntaram a nós pessoalmente, apesar da chuva, e obrigado às mais de 600 pessoas que seguiram o webinar em direto.




