21/06 Tudo por Jesus. Tarragona.

Jun 21, 2026

A jornada de hoje levou-nos até Tarragona, a cidade onde nasceu a Companhia de Santa Teresa e onde continua a ressoar com força a intuição que deu origem a esta história partilhada:«Tudo por Jesus».

De manhã, acompanhadas por alguns dos professores e professoras da escola de Tarragona, percorremos as ruas e as casas onde viveram as primeiras irmãs da Companhia. Durante o passeio, recordámos aquelas mulheres corajosas que, ao lado de São Henrique de Ossó, responderam com ousadia às necessidades do seu tempo e lançaram as bases de uma missão que, 150 anos depois, continua viva em vários lugares do mundo. Foi muito emocionante ver — no sentido mais literal da expressão — os tijolos sobre os quais a Companhia começou a ser construída.

O dia teve o seu momento central na Eucaristia de ação de graças, celebrada na catedral e presidida pelo arcebispo de Tarragona, Mons. Joan Planellas. Um momento especial em que a Família Teresiana, reunida, reconheceu a fidelidade de Deus ao longo destes anos e renovou o seu compromisso de continuar a promover os interesses de Jesus na realidade atual. Em torno do pão e do vinho, fizeram-se presentes as primeiras fundadoras, as irmãs que fizeram e fazem parte desta história e tantas pessoas que hoje continuam a alargar a missão teresiana a partir de diferentes vocações e culturas. Também recordámos os três adolescentes que faleceram tragicamente ontem na praia de Tarragona e os seus familiares.

Ao lado da imagem do Nosso Pai, 22 bandeiras representavam os 22 países onde a Companhia está hoje presente no mundo. Temos muitos motivos para dar graças! A irmã Ángela Cuadra, stj, proferiu a oração de abertura:

Senhor arcebispo Don Joan Planelles, Senhor bispo Don Sergi Gordo, amigos sacerdotes, obrigada por presidirem e concelebrarem connosco esta Eucaristia.
Queridas irmãs, queridos amigos e amigas da Companhia de Santa Teresa de Jesus e da Família Teresiana:


Estamos aqui, neste mesmo solo onde umas jovens disseram «sim» e nasceu a nossa história. E isso já é, por si só, motivo de profunda gratidão.
Cento e cinquenta anos de percurso não se celebram fazendo um balanço. Celebram-se voltando à fonte: Àquele que convocou, sustentou e continua a chamar. As nossas Constituições lembram-nos que somos «mulheres chamadas por Deus para promover os interesses de Jesus, a fim de restaurar n’Ele todas as coisas». Não somos uma instituição que comemora a sua história; somos uma comunidade de discípulas que volta a pôr-se a caminho.
O lema que nos acompanha este ano, «o tempo pressa e as circunstâncias apertam», expressa a urgência que Henrique de Ossó sentiu de dar uma resposta de fé e esperança perante o seu mundo. Hoje, tal como naquela altura, o apelo não é, acima de tudo, para fazermos mais, mas para olharmos e ouvirmos de outra forma: para nos deixarmos comover pelas feridas do nosso mundo, tal como Jesus fez, para sairmos ao encontro daqueles que procuram motivos para continuar a caminhar e a esperar.


Ao celebrarmos esta história tecida de fidelidades, somos convidadas a renovar o nosso compromisso com este projeto de vida e a vivê-lo com inspiração, com sentido, com esperança. Não uma esperança ingénua, mas a confiança profunda de quem sabe que Deus continua a agir na história. A mesma confiança que animou Enrique de Ossó. A mesma que hoje nos reúne aqui
.
Preparemo-nos para celebrar em família esta Eucaristia, gratas por tantos dons recebidos e abertas ao que ainda se abre diante de nós.

A celebração continuou num ambiente festivo e familiar, com um almoço no restaurante El Tinglado, junto ao porto. Nesta ocasião, foi a vigária-geral, a irmã Pilar Liso stj, que proferiu algumas palavras antes de começarmos a comer:

(..) Tarragona não foi escolhida por acaso. Foi o lugar onde se cruzaram uma necessidade concreta e uma resposta inspirada pelo Espírito. E é disso que o nosso mundo continua a precisar: não de grandes teorias, mas de presenças concretas nas necessidades reais. Foi aqui que se começou a forjar uma identidade. Foi aqui que se aprendeu que a santidade e a inteligência andam de mãos dadas; que a oração e a ação fazem parte de uma mesma dedicação. Aqui, na Capela de São Paulo, as fundadoras pronunciaram os seus primeiros votos. E daqui partiram, como nuvens que fertilizam diferentes solos, rumo a Vilallonga, rumo a Barcelona, rumo a lugares que ninguém teria imaginado.

O que nasceu aqui não ficou por aqui. E isso é uma das coisas mais bonitas de Tarragona na nossa história: que não foi um ponto de chegada, mas sim um ponto de partida. Uma cidade que soube dar sem reter; que soube dar raízes e também asas (...)

Depois destas palavras comoventes, os corações inflamaram-se e o fogo teresiano começou a inundar tudo. Tanto que até soou o alarme de incêndio e, por um momento, ficámos assustados... para, alguns minutos depois, descobrirmos, aliviados, que a tradicional crema catalana que estavam a preparar para a sobremesa tinha queimado um pouco mais do que devia e tinha feito disparar um detetor de fumo demasiado sensível. Acabou por ser só uma anedota engraçada!

De volta a Tortosa, continuámos a festa com um bocadinho de dança e uma conversa descontraída no exterior da casa, onde ficámos muito gratos pelas bebidas bem frescas que nos ajudaram a aliviar o calor.

Continuamos a aproveitar esta peregrinação.

Podes ver as fotos do dia neste link: Encontro Internacional - 21 de junho | Flickr

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